Para as gerações mais novas a obra suplantou o autor, e "Prelúdio Para Ninar Gente Grande", ou melhor, "Menino Passarinho" foi como a canção e o artista ficaram conhecidos pelo Brasil afora. Aliás, títulos são o que não faltam para Luiz Rattes Vieira Filho – LUIZ VIEIRA - que após perder a mãe, foi criado pelo avô, em Alcântara, distrito de São Gonçalo, no Rio de Janeiro.
Sua veia artística despontou cedo, talvez por influência de sua mãe, uma portuguesa de Trás-os-Montes, que participava de cerimônias religiosas em igrejas como cantora lírica. Seu pai um jornalista e advogado, queria que Luiz seguisse seu ofício, ele então formou-se em Direito, mas nunca exerceu a profissão. Com apenas oito anos ele rabiscou a primeira canção. Mas talento não foi o único ingrediente para se projetar no mundo da música. Foi preciso muita insistência para conseguir sua primeira oportunidade no rádio. Teimoso, ele se inscrevia em todos os programas de calouros. Todos os dias, durante quase um ano, Luiz enfrentava a estrada, num trajeto de três horas entre as cidades de Alcântara e do Rio de Janeiro, vislumbrando uma chance de cantar no programa do Zé do Norte. Graças à sua persistência, sua vez acabou chegando. Uma greve dos cantores contratados pelo programa levou a produção ao desespero. E lá estava o perseverante Luiz que, desde então, passou a fazer parte da equipe.
Estar no lugar certo na hora certa era, felizmente, sua sina, que lhe deu a chance de ser um dos astros da noite na Lapa: no cabaré Novo México, mais uma vez o cantor da noite faltou, e mais uma vez, lá estava Luiz para substituí-lo. Daí para frente, já reconhecido como cantor, circulava no meio de ilustres figuras do samba como Ataulfo Alves, Wilson Batista e Geraldo Pereira. Entre os anos 40 e 50, circulou em noitadas nos cabarés da Lapa, no Rio de Janeiro, e nos programas Manhãs na Roça, com Zé do Norte, na Rádio Clube do Brasil, Salve o Baião, na Rádio Tamoio e Espetáculos Tonelux, na TV Tupi. Sem estilo definido para cantar ou compor, suas músicas acabavam virando moda. Foi assim com músicas, como a toada, no seu primeiro sucesso, "Menino de Braçanã", em 53, com a guarânia, na "Guarânia da Lua Nova", com o xote "Estrada de Columbandê" (gravado inicialmente por Ivon Cury), e com o prelúdio, no seu maior sucesso, "Prelúdio Para Ninar Gente Grande", em 63, além de Paz do Meu Amor, gravada por inúmeros intérpretes. Luiz Vieira foi preso e advertido diversas vezes, após denunciar em seus poemas a seca do Nordeste.
Ele se valia do programa Espetáculos Tonelux, onde conversava com a vedete Virgínia Lane, para abrir o verbo. "Momentos de comunicação difícil", sintetiza Luiz, que também não escapou ileso da Ditadura. Seu apartamento foi vasculhado e seus objetos totalmente revirados. "Enquanto alguns foram para Paris, fui para as grotas do País", hoje graceja.
Em 1954, mudou-se para São Paulo; contratado para a Rádio Record, pelo dobro do que estava ganhando no Rio. Atuou em algumas emissoras de televisão, como: TV Record, TV Excelsior e TV Tupi, onde teve programas de grande audiência que marcaram sua carreira. Luiz Vieira estreou o primeiro musical da televisão brasileira, na TV tupi do Rio de Janeiro, o Espetáculo Tonelux ao lado de Virgínia Lane, a maior vedete do Brasil na época. Mais tarde, teve programas, em todas as tv´s do Brasil na época, nas redes associadas e outras, TV Marajoara – Belém (PA), TV Ceará – Canal 2 – Fortaleza (CE), TV Jornal do Commércio – Recife (PE), TV Itapoã e Aratú – Salvador (BA), TV Gaúcha – Porto Alegre (RS), TV Itacolomi – Belo Horizonte (MG), TV Paraná – Curitiba (PR).
Em sua carreira, ele abusou da improvisação. Com mais de 300 músicas editadas e gravadas por ele e por dezenas de outros intérpretes, como: Marlon e Maicon, Daniel, Dora Vergueiro, Sérgio Reis, Moacyr Franco, Agnaldo Rayol, Hebe Camargo, Caetano Veloso, Zizi Possi, Fagner, Rita Lee, Agnaldo Timóteo, Maria Betânia, Elba Ramalho, entre outros.
Ele que também atende pelo codinome de "Príncipe do Baião", ou "Advogado do Nordeste". O "Menino Passarinho" ainda planeja altos vôos e encanta-se com os desafios. O verbo parar ainda não faz mesmo parte de seu repertório.
Depois de muito tempo na Rádio Nacional do Rio de Janeiro, Luiz Vieira levou para a Rádio CARIOCA AM, o programa "MINHA TERRA, NOSSA GENTE", que está completando 32 anos no ar e no qual apresenta, de segunda a sexta, de 6 às 8 horas, que recebe cerca de 500 ligações por dia, oferecendo prêmios aos ouvintes. Um dos pontos altos do programa é o quadro Gente que Brilha, criação do inesquecível Paulo Roberto, na época áurea da Rádio Nacional, no qual conta diariamente a vida de um cantor ou compositor, aniversariante do dia. Há ainda muitas curiosidades e notícias do que está acontecendo no Brasil e no mundo e entrevistas.
Luiz não pensa em parar, pai de gêmeos – dois meninos com 4 anos de idade, ele está em pleno vigor, acorda todos os dias às 5:00 h da manhã para apresentar seu programa de rádio e costuma dizer: "Sou poeta pela graça de Deus e cantador porque o povo deixa". Vieira nunca deixou de compor e avalia esta como a melhor fase de sua vida.